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Crashdiët Rest in Sleaze Para muitos de nós, os anos 80 são simbolizados por horríveis cabeleiras, roupas ridículas e uma atitude inesquecível por parte das bandas rockeiras da altura: arrogantes, excêntricas, a roçarem a androgenia. Eram os tempos do Glam, quando o volume do cabelo frisado era maior que o diâmetro do crânio e todos os músicos tinham cara de quem ia violar-nos as filhas. Mas os 80 morreram no assalto do Grunge e no desgaste da imagem de tais bandas. A década morreu, mas nem por isso o espírito. 2005 viu o retorno de algumas lendas como os Zan Clan de Zinny Zan (Shotgun Messiah), Big Cock (com membros dos Lynch Mob e King Kobra), os American Dog, ou até a saída do retiro de Jake E. Lee, ex-guitarrista de Ozzy Osbourne. Mas da Suécia chegram estreias que surpreenderam o mundo do sleaze, nomeadamente os Cowboy Prostitutes e os Crashdiët . Estes últimos lançam o álbum Rest in Sleaze , e o título diz tudo: mulheres, rebeldia, rock'n'roll é tudo o que encontrarão nesta banda encabeçada pelo carismático Dave Lepard. E se o nome parece propositado, é-o mesmo, e não é o único: nomes como Peter London, Martin Sweet ou Eric Young, além de terem a pomposidade do Glam, lembrarão muitos de músicos de tempos passados. E para completar a atmosfera Glam/Sleaze, a banda oferece-nos não só o trema em “diët”, mas os erros ortográficos como na abertura do álbum Knokk'em Down que revela desde o início um grande cantor em Dave Leppard, ao estilo de Tom Keiffer dos Cinderella , com um pouco de LA Guns misturado com os coros de Def Leppard . Grandes malhas chegam-nos depois em Riot in Everyone , música gritada a plenos pulmões, cheia da irreverência caótica da juventude de tempos passados e com coros que nos ficarão gravados no mais fundo do cérebro. A música é um clássico instantâneo. Conseguindo manter-se frescos ao mesmo tempo que clássicos, ao longo de músicas como Queen Obscene , Breaking the Chains, ou Tikket e a intensa Straight Outta Hell , a banda não descura os lados mais melódicos com a baladesca It's a Miracle . E todos estes ingredientes de vocalista competente, grande rock'n'roll e coros instantaneamente clássicos, fizeram de Rest in Sleaze uma das grandes estreias de 2005 e um dos melhores álbums de rock do ano. Se não odiarem o Glam e tiverem uma costela que vibre com Mötley Crüe, Twisted Sister, Skid Row, Slaughter, Ratt, Poison, Shotgun Messiah , os Crashdiët é algo que têm de ouvir sem dúvida alguma, e as horas de divertimento são garantidas. Esta review vem como homenagem a Dave Lepard , encontrado morto do dia 20 de Janeiro. Com apenas 26 anos, deu um salto monstruoso em direcção à fama, mas também aos outros excessos que penalizaram a cena Glam dos anos oitenta: o abuso do álcool e das drogas que acabaram por aniquilar uma das mais talentosas promessas do metal dos últimos anos. Rest in Sleaze , em vez de ter sido o primeiro passo, pode tornar-se apenas mais um desses álbuns de culto cuja história se falará nos anais do Metal daqui a vários anos. Rock On Dave! Colaborador: Marco Trigo |