1. Path Of Thorns

2. Nocturnal Quest

3. Promised Throne

4. Aeternus Esxecratus Nocturnus

5. Diabolical Intercourse


ANO
NOTA
2005 7/10
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Deep Odium - "Mortem"

Vivemos num país que de pouco ou nada tem em termos de tradição metaleira, um país onde é extremamente ingrato e complicado gravar um álbum num estúdio – e esses mesmos estúdios oferecem, por norma, fracas condições de trabalho – enfim, um país que ainda mal conhece certezas (Thanatoschizo, Grog, In Tha Umbra…) ou promessas (Shadowsphere, Sindrome, Goldenpyre, Theriomorphic…) e que prefere limitar o seu horizonte metaleiro a Moonspell. À parte disto, ainda há quem queira remar contra a maré e arriscar a gravar trabalhos. Mesmo que sejam apenas demos/EPs.

Lançado aproximadamente há um ano (mais dia menos dia) pela Lost Sound Records, gravado nos Lost Sound Studios e produzido por Bob Sneijers (líder dos Fungus), “Mortem” é um EP que nos dá fortes indícios de que estes músicos algarvios poderão vingar no – pobre – panorama de Black Metal português. “Mortem” segue a típica veia fria e sombria habitual destas andanças e oferece cinco canções bem estruturadas, sem que sejam complexas. Ora cru nuns momentos, ora melódico noutros, as canções são, de facto, muito boas, e nada têm a ver com os “clichés” góticos ou sinfónicos da actual vaga de Black Metal “mainstream”. Em vez disso, os Deep Odium preferem tocar um estilo mais orientado para o Old School, muito intenso, mas com alguns “breakdowns” típicos do “pai do Black Metal: o Thrash Metal. Temos desde dedilhados e melodia típicos de um “… And Justice for All” dos Metallica (mas as comparações ficam-se apenas pelos dedilhados), “riffs” que poderiam estar perfeitamente numa música dos Kreator, mas que estão em “Demise Throne”. Embora não queira entrar em muitas comparações, “Mortem” faz-me também lembrar muito a fase “Transilvanian Hunger” dos Darkthrone, mas não tão “raw” e mal tocado. Não, embora não sejam músicos de outro mundo, o quinteto algarvio é bem superior – em termos técnicos – aos conterrâneos noruegueses, e arrisca bem mais.

Um registo compacto e com excelentes canções, das quais gostaria de destacar “Path of Thorns” e “Nocturnal Quest”, mas o som do disco encontra-se um pouco abaixo e com pouca intensidade em momentos ocasionais, no entanto, a produção é bem aceitável e, caso a ideia da banda fosse ter um som cru, estas minhas últimas linhas merecem ser ignoradas. A comprar e a escutar com muita atenção.


Colaborador: Simao Fonseca