1. Like Angels Weeping (The Dark)

2. Let Them Burn

3. Crippled & Broken

4. To Reign Again

5. It Turns To Rust

6. Open Scars

7. Temptation's Nest

8. In Words Of Desperation

9. Road To Devastation, The

ANO
NOTA
2006
8/10
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Kataklysm

"In the Arms of Devastation"

Este álbum é o meu primeiro contacto com esta banda oriunda do Canadá, o que me obrigou a alguma pesquisa quanto à história da banda. Os resultados, em resumo, são que esta é a 13ª criação do colectivo desde 1992, portanto não são aquilo a que se pode chamar de beginners, e têm a sua história bem firmada na Nuclear Blast (o que por si só já diz muito….). Até inserirmos o CD na aparelhagem (figurativo porque infelizmente não tinha CD, só MP3), encontramos visualmente uma capa, que tal como o nome do álbum é apelativa e provoca alguma expectativa, especialmente porque tem sido bem avaliado pela crítica e não estava a par deste colectivo.

Depois de premirmos o botão play (obviamente), somos assolados imediatamente por um discurso em voz cavernosa, que nos prepara para a devastação que vai tomar conta das colunas, do ambiente, e da nossa atenção nos 41 minutos seguintes.

Mas chega de “poesia” e vamos a factos.

Depois da frase introdutória: “revenge is a meal best served cold”, algo atinge a nossa cara, e antes de percebermos bem o que é, já estamos colados à parede oposta às colunas tal é a ferocidade deste álbum.

Podíamos avançar nesta análise música à música, mas tal era retirar a surpresa das mesmas, assim, no álbum encontramos: Guitarras rápidas e agressivas em contornos típicos de Death Metal. Muita melodia por parte do guitarrista principal. Algum dos ritmos são do género pára / arranca (mas pouco a ver com o metalcore), muitas vezes com contornos Thrash para depois disparar em hiper blast-beats, ou criar um groove para headbangers, ou ainda, um ambiente muito mais lento (dedilhado semi-acústico na introdução da faixa To Reign Again). Tudo isto se encontra neste álbum. A variedade é boa ao nível de guitarras ritmo, que em determinados segundos de algumas músicas podem lembrar Machine Head (parte final de Davidian) no final da primeira música, ou cavalgadas tipo sepultura (Beneath the Remains) ao longo do álbum… Mas tudo com uma boa dosagem de energia Death Metal. Refrões cheios que ficam nos ouvidos, prontos a serem gritados nos concertos encontram-se em quase todas a músicas. Como em Cripled and Broken, ou em Open Scars.

A voz é “servida” num registo Death Metal (grunhidos e berros) bem colocados, por vezes em alternância, que acentua a melodia promovida pelas guitarras e imprime uma dinâmica e textura incrível à música.

Na secção rítmica, encontramos hiper blast-beats, grooves a meio-tempo bem estruturados e pensados, e mesmo batidas mais lentas. Sim! Porque dentro da mesma música podemos encontrar tudo. As variedades de alguns pormenores rítmicos são, sem dúvida, arrepiantes (no bom sentido). Não é que sejam muito técnicos (muito baseados na velocidade), mas enquadram-se tão bem que é impossível não prestar atenção, ou ouvir de novo (falo por experiência). A guitarra baixo tem espaço para desenvolver-se sozinha em algumas passagens, e é bem proeminente em Reign Again onde tem espaço para um quase-solo. É pena manter o ritmo na senda da bateria e não desenvolver mais.

A produção está equilibrada, todos os instrumentos estão presentes, sendo que o baixo por vezes perde-se um pouco na mistura e torna-se difícil discernir, especialmente nas partes mais rápidas, não é uma perda significativa no entanto (infelizmente nem todos podem ter o baixo de Overkill).

Encontramos algumas participações especiais, Tim Roth (Into Eternity) no solo da última música e Morgan lander (Kitty) na Open Scars.

Conclusão? É um álbum muito bom que vai demorar algum tempo a ser encostado num lugar escuro a ganhar pó. Dado que é o meu primeiro desta banda não posso analisar quanto a evolução da mesma. No entanto os adjectivos para este álbum são: AGRESSIVO como um pontapé na cara, melódico para criar um violento, pesado e atmosférico ambiente (na última música em especial). Acima de tudo cativante pelas ténues variações que nos mantêm atentos. São estas variações que compensam o deficit a nível de solos presente nesta obra. Aliás este é o ponto que mais prejudica o álbum – os solos só são 3 – e é por ai que não tem mais meio ponto no meu entender. Os músicos não são virtuosos, ou pelo menos não o demonstram. Mas o que fazem fazem-no bem, e isso é o mais importante. Este é um álbum que vale a pena ter na colecção... pelo menos na minha.

 

Colaborador: Miguel Marques