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Napalm Death “Smear Campaign” Antes de mais, tenho que apresentar as minhas mais humildes e sinceras desculpas aos leitores aquando da review de “The Cod Is Red… Long Live The Code” onde referi que os Napalm Death foram os pioneiros do Grindcore. A verdade é que é complicado avaliar quem foram os primeiros neste género tão brutal do Hardcore Punk, mas uma nova pesquisa permite-me avançar que terão sido, porventura, os Extreme Noise Terror os primeiros a realizarem este tipo de sonoridade, que evoluiu do Crustcore e – talvez – do Power Violence. Desculpas pedidas, deambulemos pelo mundo dos Napalm Death e a sua nova descarga extrema. Um ano e meio volvido, e digerido que está o excelente prato “The Code Is Red… (…)”, era previsível que a banda do Reino Unido mantivesse a mesma direcção musical apresentada nesse longa duração do ano passado, deixando para trás uns certos tiros nos pés e algumas experiências musicais e editoriais que mancharam o seio da banda. Novamente sem Jesse Pintado nas guitarras, a banda mostra-se um pouquinho de nada menos raivosa mas com a mesma revolta político-musical que sempre se apresentou desde a sua criação. Com uma voz invejável, Barney é, sem dúvida, o meu vocalista preferido no espectro do Grindcore, pois consegue fazer aquele tipo de voz mais clara e perceptível e de repente mudar para um agudo imperceptível sem o mínimo uso de efeitos no microfone. Se não, vejamos a demolição de “Sink Fast, Let Go” que estabelece o padrão máximo de brutalidade presente no CD. E querem uma surpresa? Alguma vez alguém imaginou Anneke van Giersbergen a participar numa faixa dos Napalm Death? Eu também não, mas fiquei seriamente deliciado com “In Deference”: não é o Trip Rock dos The Gathering; Anneke assume mais um papel de uma espécie de narradora da raiva que Barney vai destilando ao longo da música. O resultado é muito bom, diga-se. Para o final ainda têm o presente mais orientado para o Death Metal, “Deaf and Dumbstruck”, mas esta direcção musical dos Napalm Death é um híbrido do Crust/Grindcore dos primeiros dois álbums, com a força do Death Metal norte-americano apresentado em “Harmony Corruption”. Um continuar do trabalho exemplar demonstrado em “The Code Is Red… Long Live The Code”. Nota: 9/10 Colaborador : Simão Fonseca |